Sobre
Thiago Luiz Silva. Escrevo sobre filosofia, sistemas, kung fu, carreira, tecnologia e outras linguagens — às vezes em português, às vezes em inglês, dependendo de onde o pensamento nasceu.
Sobre meu nome
O nome que meus pais me deram foi Thiago Luiz da Silva Pereira. Talvez pelo lado indígena na família, nunca me preocupei muito com nomeações — não importa muito o que se diz que é, mas sim o que se faz.
Meu pai brincava que qualquer pessoa com um bom apelido tende a ser uma boa pessoa, uma que possui amigos, uma cujo círculo em torno seria carinhoso. O processo de entrada no Colégio Militar foi conturbado, muito estudo e trabalho foram necessários, então adotei o nome Luiz em sua homenagem.
Fiquei tantos anos utilizando-o que meus amigos mais longevos ainda me chamam assim; mesmo minhas filhas acreditavam que Luiz era meu nome durante muito tempo de suas vidas.
Quando acessei o Mo Lan (武林), o Kung Fu (功夫), já havia o meu Si Hing (师兄) e amigo (友), hoje Mestre (師傅), Thiago Pereira; de forma que começaram a me chamar de Thiago Silva, que remete sonoramente a Moy Chi Yau Si (梅知友士), nome que meu Si Fu (師父), Mestre Julio Camacho (梅祖利奧), me outorgou e à minha família (門派).
Minha rubrica digital costuma ser TLSi. A leitura em inglês remete ao meu nome marcial (/tiː ɛl siː/) e em português ao nome civil (Thiago Luiz Silva). Divirto-me bastante com essas piadas linguísticas.
O ThLuiz é o nome que adotei ainda na adolescência, fruto do Luiz com um pouco de Th(iago), se tornando minha rúbrica física no papel. É o domínio que tenho registado há muitos anos, forma mais fácil de me encontrar em todas as redes que importam (as vezes como ThLuizSilva, nas que não importam tanto assim).
Sobre o nome Silva
Eventualmente descobri a obra de Públio Papínio Estácio, poeta romano do primeiro século da era comum: ele passou anos polindo sua obra principal, a Tebaida, enquanto deixava uma série de rascunhos, poemas ocasionais, relatos, reflexões e escritos rápidos que chamou de Silvae.
A escolha do nome fora deliberada: silva em latim significa floresta, mas no vocabulário retórico romano designava matéria bruta: a madeira antes de virar móvel, o minério antes de virar estátua. Estácio escolheu o título conscientemente: "isto é material de floresta, não obra acabada." Antecipando o que Montaigne chamaria de Ensaios 1500 anos depois.
O irônico é que, dentre as obras de Estácio, os cinco volumes das Silvae são considerados mais vivos que seu épico Tebaida.
O que você encontra aqui está nesse sentido romano: pensamentos que ainda não viraram tese, observações que ainda não viraram sistema, práticas que ainda não viraram método. Matéria bruta que talvez dure mais do que qualquer obra que eu tenha a pretensão de acabar.
Dentro de cada floresta, há uma profusão de vida oculta aos que só veem as copas das árvores. O Scholion é esse lugar: acumulação de rabiscos, anotações de aula, trechos de conversa, textos que ainda não sabem o que querem ser. Lá o caos é bem-vindo. Aqui os textos já começam a ganhar contorno — alguns chegam a uma forma que me satisfaz, outros permanecem em construção indefinidamente, como deve ser.